Quando uma estratégia moderna e eficiente se torna a única saída inteligente
Uma pesquisa recente da Serasa Experian revela um cenário preocupante: mais de 8 milhões de empresas brasileiras encontram-se negativadas. Em regra, os principais credores são a administração pública, em razão de tributos não quitados, e as instituições financeiras, que frequentemente cobram valores cuja inadimplência já era previsível desde a origem da relação contratual.
Esse quadro é agravado por práticas recorrentes do sistema financeiro, como juros elevados, encargos desproporcionais, aplicação automática da taxa SELIC, além das chamadas operações bancárias casadas, situação em que a concessão de crédito é condicionada à aquisição de produtos como seguros, títulos, consórcios ou outros serviços desnecessários ao empresário. Soma-se a isso a incidência de multas excessivas, seja por atraso em pagamentos, seja por extrapolação de limites em cartões de crédito, compondo uma estrutura de dívida inflada por inúmeros encargos acessórios.
O impacto é ainda mais severo quando se observa que mais de 7,6 milhões dessas empresas são micro e pequenas, justamente as mais vulneráveis à restrição de crédito. A ausência de acesso a financiamento empurra esses negócios para um verdadeiro abismo, comprometendo o fluxo de caixa, a capacidade operacional e, em muitos casos, a própria sobrevivência da empresa.
Nesse contexto, gestão de crise e controle de riscos deixam de ser conceitos teóricos e passam a representar uma necessidade imediata. O grande problema é que inúmeros empresários desconhecem os direitos que possuem, bem como o amplo conjunto de alternativas jurídicas, administrativas e negociais capazes de proteger a empresa, reorganizar passivos e viabilizar uma retomada sustentável no mercado.
É imprescindível reconhecer que não há retomada sem mudança profunda de conduta. A superação do endividamento exige revisão de práticas, reestruturação de procedimentos e um novo olhar sobre a administração do negócio. Soluções simplistas ou decisões precipitadas tendem a agravar ainda mais a crise.
Nesse ponto, merece especial atenção a recuperação judicial, frequentemente apresentada como solução universal. Na prática, porém, trata-se de um instrumento adequado apenas para empresas com posição estratégica consolidada, estrutura financeira mínima, disponibilidade de caixa ou ativos relevantes. Para a grande maioria dos negócios, sobretudo micro e pequenas empresas, a recuperação judicial pode se transformar em uma armadilha que restringe ainda mais as alternativas de saída.
A boa notícia é que soluções existem. Há caminhos eficazes de reorganização empresarial capazes de promover resultados concretos a médio prazo, com custos significativamente menores e efeitos mais consistentes. Esses caminhos, entretanto, exigem planejamento, disciplina, estratégia e esforço contínuo.
Diante de um cenário de endividamento crescente, antes de optar por medidas extremas, torna-se fundamental conhecer todas as alternativas disponíveis. Uma análise especializada pode revelar caminhos mais seguros, eficientes e economicamente viáveis para o reposicionamento financeiro e estratégico, viabilizando a retomada sustentável do negócio.
ANTONIO CARLOS MORAD
MORAD ADVOCACIA EMPRESARIAL
